Em relação ao ensino bíblico sobre o sustento pastoral, os seguintes versos tratam abertamente sobre o tema: Lc 10.7-8; 1Tm 5.17-18; 1Ts 5.12. Porém, a ideia de se sustentar um pastor que trabalha em tempo integral na obra é amparada por uma interpretação teológica da Escritura, que sintetiza tudo o que a Bíblia diz sobre o assunto em uma ou mais declarações catequéticas.
Em suma, a Bíblia diz, sim, que um pastor de determinada comunidade deve ser sustentado por ela. Mas isso, sob as seguintes condições:
1. Ele deve se dedicar integralmente ao ministério da Palavra. Sabemos disso pois os apóstolos, nos primórdios da igreja e sob a direção do Espírito, entenderam que deve haver diversos ministérios na vida eclesial para que os que pregam a Palavra não passem o tempo que deveriam estar orando e a estudando com outras atividades (At 6.2). E isso visava a um fim muito objetivo: entender e pregar a Palavra cada vez melhor, com mais segurança, respeito, coerência e consciência. Como os apóstolos poderiam se dedicar à Palavra se ocupassem seu dia com as diversas questões que envolvem uma comunidade? Seria impossível. E isso já nos lança luz para entendermos algo: o sustento de um pastor só se justifica se ele fizer isso em tempo integral. Se o vocacionado trabalha o dia inteiro em outra atividade e, a noite em sua casa, pretende estudar a Palavra e montar seus sermões, ele não deve receber salário, pois (I) já está recebendo salário do trabalho em que passa o dia (ou não?), e (II) está descumprindo a direção da Escritura acerca de sua atuação como pastor (se ele pretende exercer o episcopado, deve se dedicar a isso totalmente a fim de sustentar sua congregação com um ensino bíblico sólido e verdadeiro, pois é impossível o aperfeiçoamento na sã doutrina e um profundo entendimento na Palavra - com vistas ao ensino e à pregação - se a pessoa não se dedicar a esse labor integralmente ).
2. Como consequência da condição anterior, o pregador que é sustentado por sua congregação, ministra a ela a Palavra de forma sabiá, sólida, verdadeira e coerente. Não devemos manter o sustento de um pastor que, continuamente, traz mensagens razas e superficiais; quanto mais aqueles que trazem mensagens e ensinos errados e antibíblicos. Daí a importância de um vocacionado, antes de ser ordenado, passar por uma instrução teológica formal. Seria injusto da parte da congregação exigir de um vocacionado um conhecimento e um desempenho aos quais ele não pode galgar sozinho. Por isso, o procedimento certo em relação aos vocacionados, segundo a história, é, (I) tendo a congregação identificado um vocacionado em seu meio, (II) tendo a congregação esperado esse vocacionado amadurecer e o testado na igreja por vários meses a fim de confirmar sua vocação, (III) o envia a um seminário onde o vocacionado passará vários anos aprendendo e se aperfeiçoando para, então, voltar ao seio da paróquia que o enviou e nela ministrar.