Na mentalidade judaica, quando uma pessoa morria, seu destino seria o "local dos mortos", no original grego, "Hades". Trata-se de um lugar de sofrimentos, sobretudo porque, na cosmovisão dos hebreus, um ser humano só poderia ser feliz e pleno se ele estivesse funcional e, consequentemente, completo (ou seja, com seu corpo). Os judeus sabiam que, quando morressem, estariam separados de seus corpos e, portanto, separados deles mesmos. Essa ideia era aterrorizante.
Deus, entretanto, proporciona ao seu povo (os que creêm em seu Filho, o Cristo) o presente da salvação, isto é, a redenção do homem. Assim, uma pessoa salva seria, em algum momento, retirada do local dos mortos (onde os homens se encontrariam em um estado incorpóreo - temporariamente) e tornada "completa" novamente mediante a união com seu corpo (este, porém, incorruptível). O local onde o ser humano iria desfrutar dessa nova e perfeita realidade é o local chamado de "Paraíso" pela Bíblia.
Entretanto, a Escritura também nos mostra que o povo de Deus, ou seja, os salvos, quando morrem e se encontram nesse estado intermediário caracterizado pela separação de seu próprio corpo, não vão para a "morada dos mortos", mas para um local - igualmente intermediário - chamado de "seio de Abraão" pela Bíblia. Trata-se de um estado incorpóreo, porém, com uma gritante diferença em relação ao Hades: no seio de Abraão, os salvos já irão desfrutar de um estado de bem-aventurança e felicidade, na presença de Deus, onde aguardarão o tempo no qual Deus irá instaurar sua "nova criação" (ou Paraíso). É sobre esse estado incorpóreo que há algumas controvérsias escatológicas. Algumas seitas, como os adventistas do sétimo dia, por exemplo, acreditam que, no seio de Abraão, as pessoas estarão em um estado de inconsciência, como se estivessem dormindo. Os grupos cristãos ortodoxos, entretanto, são unânimes em afirmar o contrário; os salvos estarão plenamente conscientes: ninguém estará "dormindo". Em verdade, a Bíblia deixa isso bastante claro.
No seio de Abraão, as pessoas, já em íntima e plena comunhão com Deus, aguardarão a nova criação, onde passarão a eternidade como seres humanos plenos, completos, e incorruptíveis.
Por sua vez, no Hades, as pessoas, já em sofrimento e desfrutando de um incômodo estado de separação de Deus, aguardarão a inauguração do Geena, que é o "lago de fogo", popularmente conhecido por "inferno".
Portanto, a Bíblia menciona quatro lugares que servem como destino das pessoas no estado pós-morte: o Paraíso e o Seio de Abraão (ambos comportando pessoas provisoriamente incorpóreas), e o Hades e o Inferno (ambos comportando pessoas re-unidas aos seus corpos).